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BRUXAS REAIS? RELATOS MODERNOS E EVIDÊNCIAS DE ENCONTROS

LEITURA AUTOMÁTICA
~1 min · 00:00
Os Novos Caçadores de Bruxas — floresta noturna, chuva e investigação
DOSSIÊ QUERO MEDO • INVESTIGAÇÕES CONTEMPORÂNEAS

OS NOVOS CAÇADORES DE BRUXAS

Eles não carregam tochas. Carregam câmeras.
BRUXAS — RELATOS MODERNOS E EVIDÊNCIAS DE ENCONTROS

A chuva começou antes da meia-noite.

Primeiro, eram apenas algumas gotas batendo nas folhas.

Depois, a floresta inteira parecia estar sob água.

A trilha desaparecia a poucos metros da lanterna. O barro prendia os passos. A roupa começava a pesar. A câmera continuava gravando.

Ninguém falava.

Porque havia momentos em que qualquer som parecia errado.

Então alguma coisa se moveu entre as árvores.

Não estava perto o suficiente para ser reconhecida.

Mas também não estava longe o bastante para ser ignorada.

A lanterna procurou a forma.

Encontrou apenas chuva.

Troncos.

Névoa.

Escuridão.

Então a figura apareceu novamente.

Desta vez, mais perto.

Por alguns segundos, ninguém conseguiu explicar o que estava diante deles.

Não parecia um animal.

Não parecia uma pessoa.

E, naquele instante, a pergunta deixou de ser se existiam bruxas.

O que estava naquela floresta com eles?

A câmera continuou gravando.

E os novos caçadores começaram a investigar.

OS CAÇADORES MUDARAM

Durante séculos, histórias sobre bruxas foram perseguidas por homens carregando tochas, cruzes, armas ou simplesmente medo.

Hoje, a caça é diferente.

Não há tochas.

Há câmeras.

Celulares.

Câmeras de trilha.

Drones.

Visão noturna.

Gravadores.

Lanternas.

Sensores.

E, principalmente, arquivos.

O caçador moderno não precisa acreditar que encontrou uma bruxa. Ele precisa descobrir o que realmente foi registrado.

É uma pessoa? Um animal? Uma fraude? Um fenômeno óptico? Uma montagem? Uma brincadeira? Ou existe alguma coisa que ainda não conseguimos explicar?

Eles não procuram confissões.
Procuram evidências.

Essa diferença muda tudo.

Porque uma fotografia pode registrar uma pessoa. Um vídeo pode registrar uma fraude. Um áudio pode registrar um som cuja origem ninguém percebeu no momento. E uma câmera de trilha pode continuar funcionando durante toda a noite, mesmo quando não há ninguém olhando.

É nesse território — entre o relato, o registro e aquilo que ainda não foi determinado — que começa nossa caçada.

Mas existe uma pergunta que precisa ser respondida antes de entrarmos na primeira floresta:

ANTES DA CAÇADA • FOLCLORE

QUEM ERAM AS “BRUXAS” DESTE DOSSIÊ?

Há um detalhe importante: não existem quatro bruxas identificadas nas histórias que vamos investigar. Em três dos arquivos, as figuras ou fenômenos foram apenas associados a bruxas por relatos, redes sociais ou interpretação popular. Na última caçada, a suposta bruxa foi identificada como uma criação de efeitos visuais.

A única figura de “bruxa” que possui uma identidade folclórica específica neste dossiê é a tlahuelpuchi, personagem sobrenatural associada sobretudo às tradições nahuas de Tlaxcala. Estudos antropológicos registraram crenças rurais segundo as quais essas bruxas poderiam assumir formas animais e atacar durante a noite, especialmente bebês e crianças.

Em relatos etnográficos de comunidades nahuas, a tlahuepoche/tlahuelpuchi aparece como uma figura capaz de metamorfosear-se — em algumas versões, em um guajolote — e cuja ameaça estaria ligada à sucção do sangue de bebês. Uma pesquisa publicada na Cuadernos de Historia descreve inclusive a crença de que a figura poderia chegar ao telhado, transformar-se e atacar a criança durante a noite.

Essas histórias não descrevem uma pessoa real identificada pelo nome. Elas descrevem uma categoria sobrenatural do folclore. Estudos sobre Tlaxcala também registraram que mortes súbitas de crianças eram culturalmente explicadas como ataques de “bruxas sugadoras de sangue”, enquanto a investigação antropológica e médica discutia explicações ligadas a mortes infantis e ao contexto social.

O que se acreditava que elas faziam de mal? Na tradição estudada, eram responsabilizadas por sugar o sangue de crianças durante a noite, provocar doença ou morte e atacar ocasionalmente outros membros da comunidade. Algumas versões acrescentavam metamorfose em animais e outros poderes mágicos.

E aqui está a diferença fundamental: tudo isso pertence ao universo da crença e do folclore. Não é uma descrição de crimes comprovados cometidos por uma mulher identificada como “Tlahuelpuchi”.

CAÇADA 01

A BRUXA QUE APARECEU NA FLORESTA

Estado do México • México
Caçada 01 — Tlahuelpuchi em floresta do Estado do México
ARTE DO QUERO MEDO • CAÇADA 01 — TLAHUELPUCHI

A história começa em uma região rural do Estado do México. Mas, antes de olhar para a gravação, precisamos conhecer o nome que estava por trás dela.

Tlahuelpuchi.

Na tradição popular mexicana, trata-se de uma figura associada ao folclore náhuatl, descrita em diferentes versões como uma entidade capaz de assumir outras formas e associada ao sangue de recém-nascidos.

É uma história antiga.

Até que uma câmera entrou no meio dela.

QUEM É A “BRUXA”?

TLAHUELPUCHI NÃO É O NOME DE UMA MULHER

Esse ponto merece atenção. Tlahuelpuchi é o nome de uma figura do folclore, não a identidade comprovada da pessoa filmada em 2006.

Nas tradições registradas em Tlaxcala, a figura era descrita como uma bruxa capaz de mudar de forma e atacar principalmente crianças durante a noite. O temor estava ligado à ideia de que ela poderia sugar sangue e causar a morte do bebê.

Portanto, quando o vídeo é apresentado como “uma Tlahuelpuchi”, o que existe é uma atribuição folclórica feita ao registro. A gravação não identifica cientificamente a criatura nem demonstra que a lenda esteja presente naquela imagem.

A NOITE

Segundo o investigador paranormal Antonio Zamudio, ele e sua equipe registraram uma figura durante a noite de 29 para 30 de abril de 2006, em uma área florestal do Estado do México. O material posteriormente apareceu associado ao episódio Rituales Brujas Tlahuelpuchi, da série Inexplicable Latinoamérica.

O vídeo mostra uma figura humanoide em meio à escuridão. Os olhos aparecem brilhantes. A silhueta parece alta. E a gravação, feita em condições de baixa luminosidade, transforma cada movimento em uma pergunta.

Quem — ou o quê — estava diante da câmera?

As fontes apresentam o relato como uma investigação paranormal. Mas o registro da investigação não comprova, por si só, que a figura seja uma Tlahuelpuchi.

O QUE A CÂMERA MOSTRA

A baixa resolução elimina detalhes. A distância transforma proporções. A escuridão esconde o que está ao redor. E os olhos brilhantes atraem imediatamente nossa atenção.

É justamente aí que começa o problema de qualquer investigação baseada em imagens noturnas: quanto menos informação existe na imagem, mais o cérebro tenta completar aquilo que falta.

ARQUIVO DA CAÇADA

LocalEstado do México
Data relatada29–30/04/2006
InvestigadorAntonio Zamudio / equipe
RegistroVídeo de visão noturna
AtribuiçãoTlahuelpuchi, segundo o relato
StatusIdentidade não confirmada
🟢 REGISTRO DOCUMENTADO

Existe material audiovisual associado à investigação e posteriormente divulgado.

🟠 MATERIAL QUESTIONADO

A identidade da figura e a interpretação sobrenatural não foram comprovadas independentemente.

❓ NÃO DETERMINADO

A natureza exata da figura registrada.

E talvez seja justamente isso que torna a gravação interessante.

Não porque ela prove uma bruxa.

Mas porque mostra como uma antiga lenda pode atravessar séculos e, de repente, aparecer diante de uma câmera.

A história deixou de depender apenas de quem dizia ter visto.

Agora havia uma imagem.

E uma imagem pode ser investigada.

Transição cinematográfica entre as caçadas, investigador entrando na floresta sob chuva
CAÇADA 02

AS DUAS FIGURAS DIANTE DO VEADO

Powell River • British Columbia • Canadá
Caçada 02 — duas figuras diante de carcaça de veado em câmera de trilha
ARTE DO QUERO MEDO • CAÇADA 02

Esta história começa de uma maneira completamente diferente.

Não havia equipe de televisão. Não havia documentário. Não havia alguém procurando uma bruxa.

Havia apenas uma câmera de trilha.

E uma carcaça de veado.

Corinea Stanhope e seu avô, Bob, instalaram uma câmera próxima à carcaça, perto de sua propriedade em Powell River, na Colúmbia Britânica. A intenção era descobrir quais animais estavam se alimentando dela.

Primeiro apareceu um lince.

Depois...

duas figuras humanas.

A FOTOGRAFIA

As imagens mostram duas pessoas parcialmente despidas, com cabelos escuros e desgrenhados, inclinadas sobre a carcaça. Em algumas fotografias, uma delas parece erguer um casco do animal em direção à boca.

As imagens foram associadas a “bruxas”, mas reportagens sobre o caso também levantaram a hipótese de uma brincadeira ou encenação.

QUEM ERAM AS “BRUXAS”?

NENHUMA DAS DUAS FOI IDENTIFICADA

Aqui a história muda completamente. Não existe uma bruxa identificada. O registro mostra duas figuras humanas, mas as fontes não estabelecem quem eram essas pessoas.

Elas foram chamadas de “bruxas” pela aparência da cena e pela interpretação popular. Também foi levantada a possibilidade de uma brincadeira ou encenação.

Ou seja: não sabemos quem eram, não sabemos por que estavam ali e não existe base para afirmar que praticavam algum tipo de “maldade” sobrenatural.

ARQUIVO DA CAÇADA

LocalPowell River, British Columbia, Canadá
RegistroCâmera de trilha
Registrado porCorinea Stanhope e Bob
Objetivo originalObservar animais
MaterialFotografias
StatusNão confirmado
🟢 REGISTRO DOCUMENTADO

As fotografias e o relato foram publicados por veículos que cobriram o caso.

🟠 MATERIAL QUESTIONADO

A interpretação de que as figuras seriam “bruxas” não foi comprovada.

❓ NÃO DETERMINADO

Quem eram as duas pessoas e por que estavam ali.

A câmera não foi instalada para encontrar uma bruxa. Isso torna a história mais interessante.

Não havia um investigador esperando pelo fenômeno. A câmera estava simplesmente funcionando.

Quem colocou aquelas duas pessoas diante da câmera?

Se aquilo foi uma brincadeira, alguém precisou conhecer a posição da câmera. Se foram duas pessoas reais, elas precisaram chegar até aquele local.

E, principalmente:

quem eram elas?

Nenhuma das fontes consultadas estabelece uma identificação definitiva. Ela mostra duas figuras humanas diante de uma carcaça. O restante é interpretação.

Transição cinematográfica da floresta canadense para a próxima investigação
CAÇADA 03

AS LUZES NO ALTO DA MONTANHA

Cerro de las Mitras • Santa Catarina • Nuevo León • México
Caçada 03 — luzes misteriosas no Cerro de las Mitras durante caminhada noturna
ARTE DO QUERO MEDO • CAÇADA 03

Agora imagine outra situação.

Você está subindo uma montanha durante a noite. A cidade está abaixo. A trilha está escura.

Até que percebe uma luz.

Depois outra.

Ela se move.

Então escuta risadas.

Vozes femininas.

Foi esse o cenário relatado por dois excursionistas no Cerro de las Mitras, em Santa Catarina, Nuevo León, em janeiro de 2026.

QUEM ERAM AS “BRUXAS”?

NENHUMA BRUXA FOI IDENTIFICADA

Assim como no caso anterior, não há uma pessoa identificada como bruxa. O que existe é um relato de luzes e risadas durante uma caminhada noturna, posteriormente associado à hipótese de bruxas por usuários e pela própria cobertura em formato de pergunta.

Não há, nas fontes consultadas, identificação independente de quem produziu as luzes ou de quem teria emitido os sons.

O REGISTRO

Em uma caminhada noturna, os excursionistas disseram ter percebido pontos luminosos movimentando-se em uma região elevada. Eles gravaram. Nas imagens divulgadas aparecem luzes deslocando-se em meio à vegetação. Também foram relatadas risadas femininas.

REGISTRO EM VÍDEO — FONTE

▶ ASSISTIR AO VÍDEO NO MILENIO

O Grupo Milenio publicou o vídeo associado ao episódio em janeiro de 2026.

ARQUIVO DA CAÇADA

LocalCerro de las Mitras, Santa Catarina, Nuevo León
Divulgação04/01/2026
RegistroVídeo de caminhada noturna
RelatoLuzes móveis e risadas femininas
InterpretaçãoPossível presença de bruxas
StatusNão confirmado
🟢 REGISTRO DOCUMENTADO

Há reportagem e vídeo associados ao episódio divulgado em janeiro de 2026.

🟠 MATERIAL QUESTIONADO

A origem das luzes e dos sons não foi estabelecida independentemente.

❓ NÃO DETERMINADO

Quem ou o que produziu as luzes e os sons.

E SE AS LUZES NÃO FOSSEM O MAIS IMPORTANTE?

A luz pode ter uma explicação perfeitamente comum: uma lanterna, outra pessoa, um grupo caminhando, reflexos, distância, perspectiva, vegetação ou a própria topografia.

Mas o áudio acrescenta uma camada diferente ao relato.

Quem estava rindo?

Não há, nas fontes consultadas, uma identificação independente das vozes.

Transição panorâmica para a investigação final, com montanha em tempestade e luzes no cume
CAÇADA FINAL

A BRUXA QUE NUNCA ESTEVE ALI

O arquivo que virou prova de uma coisa que não aconteceu
Caçada final — investigação digital de vídeo produzido com efeitos visuais
ARTE DO QUERO MEDO • CAÇADA FINAL — INVESTIGAÇÃO DIGITAL

O vídeo parecia perfeito. Uma figura feminina. Longos cabelos. Uma presença sobrenatural. Uma criatura aparentemente flutuando na escuridão.

O tipo de gravação que parece ter sido encontrada por acaso e que rapidamente começa a circular como “prova”.

O problema?
A bruxa tinha um criador.
QUEM ERA A “BRUXA”?

NÃO ERA UMA BRUXA. ERA UMA CRIAÇÃO DIGITAL.

Na caçada final, finalmente temos uma identificação — mas ela não é sobrenatural. A figura que circulou como “bruxa” foi criada pelo artista de efeitos visuais Joseph Njovu.

O caso é importante porque mostra o caminho inverso das outras histórias: aqui, a investigação consegue sair do campo da especulação e chegar à origem do arquivo.

O NOME POR TRÁS DA ASSOMBRAÇÃO

O artista de efeitos visuais Joseph Njovu criou o vídeo como um trabalho de VFX. O material posteriormente foi compartilhado em diferentes países como se mostrasse uma criatura real.

Fact-checkers fizeram busca reversa dos quadros e encontraram o material original publicado pelo próprio artista, incluindo um vídeo demonstrando como o efeito havia sido produzido. O processo utilizou Cinema 4D e Adobe After Effects.

O VÍDEO QUE REVELA A FRAUDE

Tutorial associado ao artista Joseph Njovu, mostrando o processo de criação do vídeo.

🔴 DESMENTIDO

Não era uma gravação real de uma bruxa. O vídeo foi produzido como trabalho de efeitos visuais e posteriormente circulou fora de seu contexto original.

ARQUIVO DA CAÇADA

CriadorJoseph Njovu
OrigemProdução de efeitos visuais
FerramentasCinema 4D / Adobe After Effects
MaterialVídeo + breakdown/tutorial
ProblemaRecirculação como se fosse real
StatusDesmentido

O mais impressionante não era a criatura. Era o caminho que o vídeo percorreu depois.

Foi parar em outros países. Recebeu outras cidades. Outras testemunhas. Outras versões.

E, pouco a pouco, uma criação digital começou a adquirir uma vida própria.

O VERDADEIRO PERIGO DAS IMAGENS

Uma câmera não mente. Mas uma pessoa pode mentir usando uma câmera.

Uma fotografia não inventa seus pixels. Mas alguém pode inventar aquilo que está dentro deles.

Um vídeo pode ser genuíno. E a história contada sobre ele pode ser completamente falsa.

Investigar a origem da evidência.

Quem gravou? Quando? Onde? Com qual equipamento? Existe o arquivo original? Existe uma versão anterior? Há outras testemunhas? A cena pode ser reproduzida? Existe manipulação digital? Existe uma explicação física? Existe alguma fonte independente?

Sem essas perguntas, qualquer imagem pode se transformar em lenda.

O QUE RESTA DEPOIS DA CAÇADA

Três histórias. Três lugares. E uma quarta história que nos ensinou que uma imagem assustadora pode nascer dentro de um computador.

Na primeira, uma antiga lenda mexicana encontrou uma câmera.

Na segunda, uma câmera de trilha registrou duas figuras que ninguém identificou.

Na terceira, excursionistas registraram luzes e sons durante uma caminhada noturna.

Na quarta, descobrimos exatamente como uma “bruxa” havia sido criada.

Nenhum desses casos autoriza uma conclusão simples de que bruxas existem.

Mas também não precisamos destruir o mistério para investigar.

Esse é o ponto.

OS NOVOS CAÇADORES

Talvez eles não sejam pessoas que acreditam em tudo. Talvez sejam justamente o contrário.

Eles entram onde outros não querem entrar. Gravam quando ninguém está olhando. Voltam durante o dia. Comparam imagens. Procuram testemunhas. Pesquisam mapas. Verificam horários. Analisam sons. Procuram a origem dos arquivos.

E, quando descobrem uma fraude...

também registram a fraude.

Porque o objetivo não deveria ser provar que existe uma bruxa.

O objetivo deveria ser descobrir o que realmente aconteceu.

VOCÊ TERIA CORAGEM?

Imagine que você está sozinho.

É madrugada. Está chovendo. A floresta está completamente escura.

Seu celular está gravando.

Você aponta a câmera para as árvores.

Nada.

Você abaixa o aparelho.

Então escuta um galho quebrando.

Levanta novamente.

E vê uma figura.

Parada.

Observando você.

Você grava.

A figura desaparece.

No dia seguinte, você abre o vídeo.

Havia alguém atrás de você.

BOA NOITE.

Se você chegou até aqui, talvez já tenha percebido que este não é um dossiê sobre provar que bruxas existem.

É sobre uma coisa muito mais interessante.

O que acontece quando o medo encontra uma câmera?

Algumas histórias resistem à investigação. Outras desaparecem quando a luz acende. Algumas são fraudes. Algumas são relatos sinceros. E outras permanecem naquele território desconfortável entre aquilo que sabemos e aquilo que ainda não conseguimos explicar.

Talvez seja justamente ali que nasçam as melhores histórias de terror.

CONTE AO QUERO MEDO

Talvez o próximo caso deste dossiê comece com o seu relato.

Você já viu alguma coisa que não conseguiu explicar?

Já esteve em uma floresta, estrada, casa abandonada ou lugar isolado onde sentiu que não estava sozinho?

Já registrou uma fotografia ou vídeo que até hoje não consegue entender?

Conte sua história ao Quero Medo.

Porque os antigos caçadores procuravam bruxas.

Os novos procuram evidências.

E talvez...

a próxima evidência esteja nas mãos de você.
DOSSIÊ ENCERRADO

ENTRAR NO ESCURO.

Você já sabe o caminho.

O PALHAÇO DE SANDOWN: AS CRIANÇAS QUE ENCONTRARAM UMA FIGURA IMPOSSÍVEL EM 1973

LEITURA AUTOMÁTICA
~1 min · 00:00

Olá, amantes do terror.
Esperamos que estejam ótimos.

Imagine...
ou talvez relembre aquilo que você esqueceu.

Você ainda é criança.

A inocência ainda é uma coisa digna dentro de você. O mundo parece muito maior do que realmente é, e aquilo que os adultos chamam de impossível ainda não encontrou espaço suficiente na sua cabeça.

Você está caminhando.

O dia parece normal.

Até que alguma coisa chama a sua atenção.

Você olha para a frente.

E vê algo.

Não sabe explicar o que é.

Mas sabe de uma coisa:

você nunca mais vai esquecer aquela imagem.

Talvez ninguém acredite em você. Talvez, anos depois, você mesmo comece a duvidar daquilo que viu.

Mas naquela tarde...

você viu.

E agora, décadas depois, o mundo vai conhecer essa história.

Parece irreal?

Pode ser que não seja.

Entenda.

LOCAL ILHA DE WIGHT
DATA MAIO DE 1973
PAÍS REINO UNIDO

Voltemos a... Ilha de Wight

Voltemos a uma tarde de 1973.

Antes de qualquer coisa estranha acontecer, imagine apenas um lugar tranquilo.

Campos. Vegetação. Um céu que não parece anunciar nada.

Você está ali.

E, por alguns minutos, não existe motivo algum para sentir medo.

Reconstrução artística da paisagem da Ilha de Wight em 1973, onde duas crianças teriam encontrado o Palhaço de Sandown
ILHA DE WIGHT — UMA TARDE QUE PARECIA NORMAL

Duas crianças brincavam naquela região.

Nada parecia diferente.

Até que um som começou a surgir ao longe.

Alguma coisa está ali

Você para.

Escuta novamente.

Não parece um animal.

Não parece uma pessoa.

O som lembra uma espécie de lamento distante, semelhante a uma sirene.

E então acontece algo curioso.

Em vez de correr...

você quer descobrir de onde ele vem.

Reconstrução artística de duas crianças observando uma figura misteriosa entre a vegetação na Ilha de Wight
ALGUMA COISA ESTÁ ALI
Você ainda não sabe o que está vendo.
E talvez seja melhor assim.

O som

As crianças seguem em direção ao ruído.

O som parece conduzi-las através da paisagem.

Quanto mais elas avançam, mais estranho tudo começa a parecer.

Então, de repente...

o som para.

Silêncio.

Um silêncio tão completo que agora você percebe o quanto aquele ruído estava preenchendo o lugar.

Reconstrução artística das crianças procurando a origem de um estranho som na vegetação
O SOM PAROU.

Você olha para um lado.

Depois para o outro.

E percebe que existe uma ponte mais adiante.

A ponte

Você chega perto.

A pequena ponte parece completamente normal.

Madeira. Água. Vegetação.

Mas alguma coisa está errada.

Você não sabe dizer o quê.

As crianças continuam.

E então...

alguma coisa se move abaixo delas.

Reconstrução artística das duas crianças diante da ponte onde teria ocorrido o encontro com o Palhaço de Sandown
A PONTE

Ele se moveu

Primeiro você vê apenas uma parte.

Uma forma alta demais.

Estranha demais.

A figura parece surgir de um lugar onde você jamais esperaria encontrar alguém.

Você tenta compreender.

É uma pessoa?

Um homem usando uma fantasia?

Alguma coisa construída?

Ou simplesmente algo que você não sabe nomear?

Reconstrução artística da figura misteriosa surgindo diante das crianças na Ilha de Wight
ELE SE MOVEU
Você teria continuado?

Ou teria corrido?

Perto demais

Agora você está perto demais para fingir que não viu.

A figura é alta.

As proporções parecem estranhas.

Há algo incomum nas mãos.

Algo incomum na cabeça.

Algo que não combina com uma pessoa comum.

Mas ainda não conseguimos enxergar tudo.

E talvez seja justamente isso que torna a cena pior.

Reconstrução artística aproximada da figura de Sandown observada pelas crianças, ainda parcialmente escondida
PERTO DEMAIS

A essa altura, talvez você já esteja tentando imaginar o rosto.

Não imagine ainda.

Continue.

A conversa

É aqui que o caso deixa de ser apenas um encontro estranho. Segundo o relato, as crianças e a figura realmente tentaram conversar.

O registro preservado não é uma transcrição completa dos aproximadamente trinta minutos em que eles permaneceram juntos. São apenas trechos das perguntas e respostas que foram posteriormente relatados.

As crianças Por que suas roupas estão tão rasgadas?

Sam Eram as únicas roupas que ele tinha.

As crianças Você é um homem?

Sam “Não.”

As crianças Você é um fantasma?

Sam “Não exatamente, mas sou de certa maneira.”

As crianças Então o que você é?

Sam “Você sabe.”

O relato também afirma que Sam teria dito não ter nome, que existiriam outros como ele e que tinha medo dos seres humanos. Essas partes não foram registradas como uma conversa completa.

E há um detalhe perturbador: embora tivesse escrito “Sam” ao se apresentar, a figura teria afirmado depois que não possuía nome.

Então quem — ou o que — era “Sam”?

Reconstrução artística da conversa entre as duas crianças e a figura conhecida como Palhaço de Sandown
A CONVERSA
Agora você está diante dela.
Mas ainda não viu o rosto.

O que eles viram

E chegamos ao momento que seguramos desde o começo.

Durante toda esta história, você viu apenas partes.

Uma silhueta.

Um movimento.

As mãos.

O corpo.

Mas agora...

olhe.

Reconstrução artística final do Palhaço de Sandown de frente diante das duas crianças na Ilha de Wight
O QUE ELES VIRAM

Quem era aquela figura?

O caso ficou conhecido posteriormente como Palhaço de Sandown, ou Sam, o Palhaço de Sandown.

Mas existe uma coisa que precisamos deixar absolutamente clara: não existe uma fotografia daquela criatura.

As imagens que você acabou de ver são reconstruções artísticas criadas para esta matéria, baseadas nas descrições atribuídas ao relato.

ARQUIVO — O QUE PODE SER DOCUMENTADO

O relato foi posteriormente encaminhado à British UFO Research Association — BUFORA e publicado no periódico da organização em 1978, sob o título associado a “Ghost or Spaceman ’73?”.

A identidade dos envolvidos foi preservada. A menina aparece no relato sob o pseudônimo “Fay”, enquanto o menino não foi identificado publicamente.

Não existem fotografias da criatura, evidências físicas comprovadas ou uma segunda testemunha independente capaz de confirmar o encontro.

O mais estranho não é o palhaço

Talvez você tenha imaginado que a parte mais assustadora seria olhar para aquela criatura.

Mas não é.

O mais estranho é lembrar que, segundo o relato, as crianças não simplesmente viram alguma coisa e saíram correndo.

Elas teriam permanecido ali.

Conversaram.

Observaram.

Tentaram entender.

E depois foram embora.

Décadas mais tarde, nós continuamos tentando fazer exatamente a mesma coisa.

Afinal...

o que aquelas duas crianças realmente encontraram?

O que sabemos — e o que não sabemos

É aqui que precisamos separar o medo da investigação.

O encontro pertence ao universo dos relatos paranormais e permanece sem comprovação independente.

Isso não significa que possamos afirmar que as crianças inventaram tudo.

Também não significa que possamos afirmar que encontraram um ser extraterrestre, um fantasma ou qualquer outra criatura.

O que temos é um relato extraordinário, registrado posteriormente por pesquisadores ligados ao fenômeno UFO.

E uma pergunta que sobrevive há mais de cinquenta anos.

Alienígena, fantasma ou imaginação?

Um visitante de outro lugar?

Como o caso foi publicado em uma revista ligada à pesquisa de fenômenos UFO, a possibilidade extraterrestre passou naturalmente a fazer parte das interpretações.

Mas não existe evidência física que permita confirmar essa hipótese.

Uma aparição?

Outra interpretação é a de que as crianças poderiam ter interpretado uma experiência incomum como uma entidade.

Essa leitura também permanece apenas como possibilidade.

Uma história infantil?

É igualmente possível questionar a memória, percepção ou interpretação das crianças.

O problema é que não temos informações suficientes para transformar nenhuma dessas hipóteses em resposta definitiva.

Talvez seja justamente isso que tornou essa história tão resistente ao tempo.

Não existe uma resposta confortável.

Você viu a criatura.
Agora tente explicar o que ela era.
NOTA DO QUERO MEDO

As cenas apresentadas nesta matéria são reconstruções artísticas. Não existem fotografias conhecidas do encontro de 1973. O objetivo das imagens é transportar o leitor para o relato sem apresentá-las como registros reais.

Algumas histórias não precisam ser comprovadas para permanecerem inquietantes.

E talvez o Palhaço de Sandown seja uma delas.

OBITUS: O NOVO BODY HORROR APRESENTADO EM CANNES GANHA TEASER OFICIAL

LEITURA AUTOMÁTICA
~1 min · 00:00
LANÇAMENTO • TERROR • 2026

OBITUS: O NOVO BODY HORROR APRESENTADO EM CANNES GANHA TEASER OFICIAL

Línguas costuradas. Florestas escuras. Uma ameaça que não para de crescer.

Alguns filmes tentam assustar com jump scares. Outros preferem criar uma sensação de desconforto que cresce lentamente. OBITUS parece seguir esse segundo caminho, substituindo monstros instantâneos por uma presença silenciosa que transforma pessoas em criaturas marcadas pelo próprio silêncio.