O TREM FANTASMA
Existe uma ferrovia brasileira cuja história parece ter sido escrita para um filme de terror. Trilhos atravessando a Amazônia, doenças, acidentes, mortes, isolamento e milhares de trabalhadores vindos de diferentes partes do mundo.
Era a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Rondônia. Conhecida como Ferrovia do Diabo, ela também inspirou o título Trem-fantasma: a ferrovia Madeira-Mamoré e a modernidade na selva, estudo de Francisco Foot Hardman publicado originalmente em 1988.
A ideia era resolver um enorme problema de transporte: as corredeiras do rio Madeira dificultavam a ligação entre a região boliviana e a parte navegável do rio. Depois de tentativas fracassadas no século XIX, o projeto voltou a avançar no início do século XX.
Em 1907, Percival Farquhar assumiu a construção. A nova empreitada levou milhares de trabalhadores para o coração da Amazônia. Pessoas de mais de quarenta países participaram da obra, enquanto a futura Porto Velho crescia ao redor do empreendimento.
A ferrovia foi finalmente inaugurada em 4 de julho de 1912. Tinha cerca de 366 quilômetros e ligava Porto Velho a Guajará-Mirim, próximo à fronteira com a Bolívia.
O apelido nasceu das condições brutais enfrentadas durante a construção. Doenças tropicais, especialmente a malária, além de acidentes, isolamento e outras dificuldades fizeram inúmeras vítimas. Fontes históricas apresentam estimativas diferentes para o número total de mortos, justamente porque a documentação do período é incompleta.
Em 1910, Oswaldo Cruz e Belisário Penna foram enviados para avaliar as condições sanitárias. O cenário encontrado era grave, com a malária atingindo fortemente os trabalhadores. Registros associados ao Hospital da Candelária contabilizam mais de 1.500 mortes, enquanto estimativas para o conjunto da construção chegam a vários milhares.
A fama sobrenatural veio depois e se misturou à memória de uma obra cercada pela morte. Relatos, histórias locais e o imaginário popular transformaram a antiga ferrovia em cenário perfeito para aparições e histórias de um trem que continuaria atravessando a floresta.
Mas é importante separar as coisas: as mortes e as condições terríveis da construção são fatos históricos; as aparições de um trem fantasma pertencem ao campo das lendas e relatos sobrenaturais.
O termo “trem-fantasma” ganhou também uma dimensão literária e histórica. Em 1988, Francisco Foot Hardman publicou Trem-fantasma: a ferrovia Madeira-Mamoré e a modernidade na selva, obra que analisa a ferrovia e o contraste entre o sonho de modernidade e a tragédia humana produzida pela construção.
O próprio título ajuda a explicar por que a Madeira-Mamoré se tornou tão poderosa no imaginário brasileiro: uma máquina moderna avançando pela selva, deixando atrás de si uma história marcada por sofrimento, mortes e ruínas.
É sabido que morreu muita gente por causa da ferrovia. Veja que a esquerda da mulher que fala no video o mato só se balança em um determinado lugar. Por que será????
ResponderExcluirBeijos!!!
Boa observação, eu não tinha notado. Assustador mesmo, talvez seja um passageiro esperando o trem. Seria muito bom se alguém filmasse uma coisa dessa. Valeu como sempre!
Excluirnão é só o mato que se mexe, olhe em cima do mato, algo parecido em marca dágua
Excluireu ainda vou passar uma noite por este local
ResponderExcluirGrava um vídeo e envia pro blog plz :)
ExcluirInteressante, bastante interessante xD
ResponderExcluirAdoro histórias assim e espero ver mais aqui no blogue ^^
Adorei o blog! Meda dessa história, hauahua
ResponderExcluirE tbm pena dessas almas perdidas...será que nunca pensaram em juntar uns clérigos e apaziguá-las?
to com medinho
ResponderExcluirFoda-se, ta com medinho é! Da o cú q passa o medinho :P
ExcluirSou do sudeste do país interress
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