MORTOS DO EVEREST
Qual seria a conquista? Vencer um monte de pedra e gelo? Se for para vencer um monte de pedra eu subo em cima de uma pilha de brita e pronto; conquistei a pedra.
Mas quando alguém morre no Everest, existe uma realidade ainda mais dura: em determinadas condições, o corpo pode permanecer na própria montanha, porque recuperá-lo pode colocar outras pessoas em perigo.
ANTES DE CONTINUAR...
Se pensa em fazer isso, mude de ideia, pense em seus familiares. Se não tiver nenhum, pense em seus amigos e, se também não tiver nenhum, pense em seu cão, gato ou no peixe dourado que você alimenta todos os dias.
E se nada disso te motivar, compre um PS3 — prefiro sempre a Nintendo — com a dinheirama que iria gastar para ficar congelado. Coloque God of War para rodar aí você vai escalar montanhas sem camisa, chegar ao topo, cair de novo, explodir a montanha e, se quiser, até pode cuspir lá de cima.
Mas depois você vai poder ir dormir embaixo de uma coberta bem quentinha, junto de pessoas que o amam e esperam muito de ti por muito tempo.

O GELO NÃO DEVOLVE TODOS
Há lugares no Everest em que recuperar um corpo não é simplesmente uma questão de força de vontade. Altitude extrema, frio, encostas instáveis, fendas e falta de oxigênio transformam uma operação de resgate em outro risco de morte.

A ZONA DA MORTE
Acima de aproximadamente 8.000 metros, o organismo enfrenta uma quantidade de oxigênio muito reduzida. A permanência prolongada nessa altitude compromete o julgamento, a coordenação e a capacidade física — exatamente quando cada decisão pode ser definitiva.

CORPOS QUE VIRARAM MARCOS
Ao longo das décadas, alguns mortos ficaram conhecidos por suas roupas, posição ou localização. Em determinadas rotas, essas pessoas acabaram se tornando referências involuntárias para outros montanhistas.

O PREÇO DE TRAZER ALGUÉM DE VOLTA
Retirar um corpo do Everest pode exigir uma equipe especializada, equipamentos, cordas, oxigênio e condições meteorológicas favoráveis. E quem entra para fazer o resgate também fica exposto aos mesmos perigos que mataram a vítima.

QUANDO O RESGATE É MAIS PERIGOSO QUE A MONTANHA
Existem situações em que a decisão mais segura é deixar os restos mortais onde estão. Isso não significa falta de respeito: em alguns pontos do Everest, mexer em um corpo pode colocar várias outras vidas em risco.

O EVEREST NÃO É UM CEMITÉRIO COMUM
O que torna essas imagens tão perturbadoras é a combinação entre morte e altitude. Não estamos olhando para um cemitério cercado por muros, mas para um ambiente gigantesco, congelado e hostil onde a própria paisagem pode esconder uma pessoa durante anos.
UMA CORREÇÃO IMPORTANTE
A ideia de que todos os mortos do Everest permanecem exatamente onde caíram é simplificação. Alguns corpos foram recuperados ao longo dos anos, enquanto outros continuam na montanha ou permanecem inacessíveis. Há casos em que equipes optam deliberadamente por não mexer nos restos mortais para evitar novas mortes.
O que permanece verdadeiro é a dimensão do problema: o Everest não é um lugar onde um resgate possa ser tratado como uma operação comum.
O VERDADEIRO TERROR DO EVEREST
Não são fantasmas.
Não são monstros.
É o momento em que o ser humano percebe que existe um lugar onde até recuperar alguém que morreu pode custar outra vida.
O Everest não precisa de uma maldição para ser assustador.
ALGUNS SUBIRAM PARA CONQUISTAR A MONTANHA. OUTROS NUNCA CONSEGUIRAM DESCER.
Este é o desafio de quem quer medo.
ResponderExcluirViver perigosamente com a adrenalina correndo nas veias
sangrentas.
Beijos!!!!
Janice, admito que algumas vezes você me assusta :) Abraços. Valeu pela visita e o apoio como sempre!
Excluiracredito que as pessoas querem ir lá com uma questão ''esportiva'' achando que vai ganhar status e poderá falar que subiu o monte everest... mais a maioria acha que vai conseguir subir lá e acaba assim...
ResponderExcluirÉ bem confuso a intenção Junior. Eu admito que não consigo entender e como disse na postagem até repudio a atitude, mas a liberdade é isso cada um toma a sua direção, rumo a vida ou a morte. Abraços!
ExcluirUm dos trechos literários que conseguiram a façanha de ficar marcados a fogo na minha memória, a ponto de eu conseguir citá-los quase de cor, é um onde o escritor alemão Michael Ende reflete sobre o quanto as paixões humanas são misteriosas. Há pessoas que arriscam a vida para chegar ao topo de uma montanha, sem que ninguém possa dizer o porquê - nem mesmo elas. Assim como há pessoas que se arruínam para conquistar o coração de uma pessoa que não quer saber delas, ou que destroem-se a si mesmas porque não são capazes de resistir aos prazeres da mesa, ou da garrafa. Pessoas que sacrificam tudo a uma ideia fixa que nunca se pode realizar, e pessoas que não descansam enquanto não conquistam o poder. Enfim, as paixões são tão diferentes quanto o são as pessoas. Até aqui eu estava citando o Michael Ende; eu finalizaria dizendo que a espécie humana tem de tudo, e talvez seja isso o que a faz humana. Abraços!
ResponderExcluirComo vai Marcos? Espero que bem! Seus comentários são sempre bem-vindos. Essa frase é bastante útil e sem dúvida nos principia uma reflexão. Obrigado pela dica! Abraços! E valeu pelo apoio!
Excluir"Somente duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. E não estou seguro quanto à primeira" - Albert Einstein
ResponderExcluirLamentável!
Tá aí uma frase que eu não conhecia! Muito útil e encaixou perfeitamente na postagem. Valeu pelo apoio!
Excluirviraram picolé :)
ResponderExcluirSó quem ama montanhas sabe o que isso significa, para muitos pode parecer estupidez, mas existem pessoas que necessitam passar por isso e conquistar esse feito. Simplesmente a montanha chama!
ResponderExcluirMaioria desses corpos estão numa zona chamada zona da morte a mais de 7 mil metros acima do nível do mar. Tirar esses corpos não é uma questão só de custo mas sim biológica.Qualquer esforço nesta região pode significar morte visto que o % de oxigênio nesta altura é bem menor e é por isso que os corpos são deixados para trás. Depois disso vem o custo, de uma equipe ir buscar, que pode chegar a 70 mil dólares segundo um outro blog. E por último pq o lema dos montanhistas em caso de morte é ficar na montanha.
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