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ILHA DAS COBRAS — O PERIGOSO PARAÍSO DA JARARACA-ILHOA EM SÃO PAULO

QUERO MEDO · NATUREZA EXTREMA · SERPENTES

ILHA DAS COBRAS

ILHA DA QUEIMADA GRANDE — SP

Você tem medo de cobras?

Espero que não! Caso tenha é melhor não ler essa postagem.

Amigo(a) leitor... Imagine...

Você trabalha na marinha e recebe a seguinte proposta do oficial da parada toda: "Caro(a) senhor(a), mantemos um pequeno farol na Ilha de Queimada Grande, a cerca de 35 km do litoral de São Paulo, precisamos com urgência de um(a) novo(a) funcionário(a) no local e o senhor(a) foi escolhido(a) devido ao seu histórico de manuseio e manutenção em equipamento semelhante. Caso aceite, poderá levar família, provisões e seu ordenado será dobrado. O que me diz?"

VOCÊ ACEITARIA?

Casa, ilha, família e salário dobrado! O que você me diz?

SIM?
Farol da Ilha da Queimada Grande
O FAROLO lugar onde a proposta começa a parecer boa demais.

Muitos responderam isso e foram enviados para a Ilha Queimada Grande, um local considerado por muitos meios científicos como: o mais perigoso do planeta. E sabem o porquê? A ilha é infestada por cobras venenosas.

Na versão antiga desta matéria, a estimativa era de aproximadamente 2.000 cobras. Hoje, pesquisas e expedições do Instituto Butantan trabalham com uma população estimada em torno de 3.000 jararacas-ilhoas. E há uma particularidade assustadora: a espécie é endêmica da própria ilha, a Bothrops insularis.

O imaginário popular também transformou a história dos antigos faroleiros em uma espécie de lenda de sobrevivência. O farol realmente existiu e a manutenção era feita por pessoas que residiam na ilha. O medo das serpentes chegou a provocar queimadas na vegetação em diferentes momentos da história.

O PRINCIPAL MORADOR DA ILHA Bothrops insularis
JARARACA-ILHOA
01 · UMA ILHA SEPARADA DO CONTINENTE

Localizada a cerca de 35 km da costa continental de Itanhaém, a Ilha da Queimada Grande é um ambiente isolado e de acesso restrito. A ilha possui aproximadamente 430 mil metros quadrados e sua fama não depende apenas das cobras: o terreno íngreme, os rochedos, a vegetação e a dificuldade de desembarque também tornam o local perigoso.

É justamente esse isolamento que transformou a ilha em um laboratório natural. Ao longo de milhares de anos, uma população ancestral de jararacas ficou separada do continente e passou por mudanças evolutivas próprias.

LOCALIZAÇÃO
O antigo mapa incorporado foi substituído por um acesso leve ao mapa, sem carregar um mapa pesado dentro da postagem.

⌖ ABRIR MAPA DA ILHA
Ilha da Queimada Grande
A ILHAIsolamento, mata, rocha e um ecossistema que seguiu seu próprio caminho.
02 · COMO NASCEU UMA SERPENTE DE UMA ILHA

A história da ilha e de suas cobras é uma história de isolamento. Depois das mudanças no nível do mar associadas ao fim da última era glacial, a antiga conexão terrestre desapareceu e a população de serpentes ficou isolada.

Com o passar de milhares de anos, o ambiente selecionou características diferentes das encontradas nas populações continentais. Na Queimada Grande, a jararaca-ilhoa passou a explorar principalmente as aves que visitam a ilha e desenvolveu adaptações relacionadas a esse modo de vida.

É uma das partes mais fascinantes da matéria: não foi necessário inventar um monstro. A própria evolução produziu uma serpente exclusiva daquele pequeno pedaço de Mata Atlântica cercado pelo mar.

03 · A JARARACA-ILHOA
Jararaca-ilhoa Bothrops insularis
JARARACA-ILHOABothrops insularis · espécie endêmica da Ilha da Queimada Grande.

Exatamente ali, somente ali, vive a jararaca-ilhoa. Ela pertence ao gênero Bothrops e é uma das espécies de serpentes mais estudadas do Brasil.

O texto original dizia que seu veneno seria de 12 a 20 vezes mais forte que o das jararacas continentais. Essa afirmação faz parte da antiga fama da ilha, mas a ciência mais recente não sustenta simplesmente essa ideia. O Instituto Butantan destaca que estudos posteriores não encontraram um veneno globalmente mais potente; existem, porém, características que favorecem a captura e digestão de aves, parte importante da dieta da espécie.

A aparência também foi exagerada por muitos relatos antigos. A média das fêmeas fica em torno de 70 cm e os machos são menores, geralmente abaixo de 60 cm. Ou seja: a verdadeira história é diferente — e, justamente por isso, muito mais interessante.

MITOS QUE A ILHA CARREGA

O QUE É LENDA E O QUE É REAL?

“VENENO 12 A 20 VEZES MAIS FORTE”

É uma afirmação antiga muito repetida. Pesquisas mais recentes não sustentam a ideia de que o veneno seja simplesmente 12–20 vezes mais potente.

“DOIS METROS DE COMPRIMENTO”

Também é um número associado a relatos antigos. Os exemplares típicos são consideravelmente menores.

“A ILHA TEM COBRAS POR TODO LUGAR”

A densidade é realmente impressionante. O Butantan estima cerca de 3.000 jararacas-ilhoas na ilha, mas isso não significa que cada metro quadrado esteja coberto por serpentes.

“É PERIGOSA MESMO?”

Sim. A espécie é peçonhenta, o terreno é difícil e o acesso é restrito. O perigo é real sem precisar transformar a ilha em uma história sobrenatural.

04 · E A CASCAVEL?
OUTRA SERPENTE · OUTRO AMBIENTE

O CHOCALHO NO ESCURO

Para complementar o tema das cobras, entra a cascavel — mas existe uma diferença importante: ela não é a serpente característica da Ilha da Queimada Grande. A grande protagonista da ilha é a jararaca-ilhoa.

A cascavel brasileira é a Crotalus durissus. É uma serpente peçonhenta associada principalmente a ambientes secos e abertos. Uma de suas características mais marcantes é o chocalho na ponta da cauda.

VOCÊ OUVIRIA O CHOCALHO ANTES DE VÊ-LA?

O som funciona como um aviso defensivo. Na ilha, porém, existe uma diferença assustadora: não há um chocalho anunciando a presença da jararaca-ilhoa. Em meio à vegetação, o silêncio pode ser muito mais eficiente do que um aviso.

05 · UM LUGAR QUE NÃO PRECISA DE FANTASMAS

É um lugar extremamente hostil. O desembarque é complicado e deve ser feito em áreas rochosas, enquanto a vegetação e o relevo tornam a circulação difícil. Atualmente, a entrada na ilha é restrita e depende de autorização.

O próprio nome “Queimada Grande” está ligado à história das queimadas realizadas na ilha. O Instituto Butantan registra que o medo das serpentes levou a repetidas tentativas de queimar a vegetação para reduzir sua presença.

O resultado é uma ironia perfeita para uma matéria do Quero Medo: durante muito tempo, os seres humanos olharam para aquele pedaço de terra e tentaram expulsar a natureza. Mas a ilha continuou sendo o território dela.

VOCÊ IRIA?

Casa. Ilha. Farol. Família. Salário dobrado.

Uma proposta aparentemente perfeita.

ATÉ VOCÊ DESCOBRIR QUEM SÃO OS OUTROS MORADORES.

FONTES PARA A PARTE CIENTÍFICA

Instituto Butantan — materiais sobre a Ilha da Queimada Grande, jararaca-ilhoa e cascavel. Os dados científicos foram usados para atualizar afirmações antigas da postagem sem alterar sua identidade narrativa.

Instituto Butantan · Ilha das Cobras: mito e realidade

Instituto Butantan · História, incêndios e curiosidades

Instituto Butantan · Cascavel (Crotalus durissus)

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9 comentários:

  1. Não tenho taanto medo de cobras assim, mas... Acho q eu nao iria aceitar um convite pra trablhar lá nao :[[

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  2. Eu não tenho MEEEEDO de cobras, mas quero elas longe, rsrsrs, eu não aceitaria de jeito nenhum, é um grande risco por um preço incomparável (creio que nada se compare a vida)...

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  3. Nem se me oferecessem o melhor salário do mundo!!

    Eu tenho medo extremo de cobras, até de cobra cega kkkkkkkkkkkkkkkk Imagina dessas Jararacas aí :P

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  4. O negócio é receber o salario adiantado e ralar peito daí kkkkkkk

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  5. A jararaca mais mortal do planeta... E eu me pergunto: o que que esses caras ainda estão fazendo ali? E aproveitando essa oportunidade, quero parabenizar os autores desse blog, pois é muito raro na web encontrarmos blogs com assuntos interessantes como os que tem por aqui. Passo horas visualizando as postagens. Sempre quando puder, estarei dando uma olhada. Abraços!

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  6. Estou impressionada com essa ilha gostaria que passasse uma reportagem na TV é impressionante essas cobras que surgiram ai.Nem muita gente tem acesso a internete.Gente vocês são muitos corajosos e muito profissionais, parabéns.

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  7. Peço que porvavor que relatem isso na TV quero ter mas conhecimento para todas as pessoas vejam impressionante parabéns.

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  8. Aonde moro existem cobras mais perigosas que essas, elas vigiam sua vida do portão, com a evolucao da espécie aprenderam a se comunicar com um dialeto próprio, aqui são conhecidas como vizinhas.

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  9. Eu iria com certeza desde que tivesse uma estrutura adequada e segura, soro antiofidico com abundância, se tratando da falta de emprego e o melhor salário nessa crise, acho que seria melhor do que ser policial no rio de janeiro.

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